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O que os cartoes de amor nao te contam

Curioso como um momento único no seu fim de semana pode alterar completamente o rumo dos seus pensamentos. Totalmente fugaz, quase que de relance e… pronto, você está completamente absorto em reflexões que antes jamais passariam pela sua mente. Aconteceu comigo, na sexta-feira passada (8). Alguém apontou pra meu peito, na direção do meu coração e disse: “cuidado, viu?”. É claro, essa frase (quase um alerta) não foi dita fora de contexto. Há um motivo pra eu ter sido advertido. Mas isso não vem ao caso agora. O fato é que isso me lembrou que estávamos perto daquele dia que faz suspirar os apaixonados e causa pânico nos solteiros.

Hoje é dia 12 de junho, no Brasil é comemorado o dia dos namorados. Um dia tão polêmico quanto engraçado, pelas reações mais diversas que os seres humanos podem ter. Não adianta, por mais que você negue e por mais comercial e/ou supérfluo que essa data possa parecer-lhe, ela, em maior ou menor medida, acaba mexendo com todos nós. Por todos os lados somos inundados de influências e acredito que para muitos se torna, mesmo que inconscientemente, uma obrigação estar com alguém no famigerado dia dos namorados. Por exemplo, no dia 4 de junho, uma amiga postou no livro dos rostos (nome fantasia: Facebook) a seguinte frase: “oito dias pra ainda ter esperança”. Confesso que achei peculiar, principalmente pelo uso da palavra “esperança”. Eu, honestamente, trocaria a esperança à qual ela se referiu, por “salvação”, dado o contexto. Oito dias para a salvação. Porque pelo que tenho visto, é isso que o namoro me tem parecido: uma âncora de salvação. Um porto seguro para os solteiros desesperados que tão avidamente necessitam de uma companhia no dia 12. Infelizmente, estar solteiro ainda é sinal de fracasso. Assim como há algumas décadas, “ficar para titia” era motivo de pena, atualmente temos titias e titios com menos de 30 ano sentindo-se cada vez mais solitários e infelizes. O  medo da solidão é a força motriz da urgência colossal que todos sentem por achar a tampa da nossa panela.

Deixo claro que como nada no mundo pode (nem deve) ser generalizado, isso também não. Há ainda aqueles que não querem, de escolha própria, namorar. Gente que habilmente encontrou a felicidade em outras fontes, em outras conquistas. Não que essas pessoas tenham desistido de amar, ou de ter alguém. Só não transformaram isso no principal objetivo de suas vidas.

E há quem tenha medo. Medo de apostar as fichas em uma ilusão. De uma vez mais jogar seu coração na cova dos leões e torcer com todas as forças para que ele não seja destroçado.

Acho que me encontro em uma intersecção desses dois. Preso ao medo de ir de novo pro campo de batalha e sair machucado e, ao mesmo tempo, feliz na minha Fortaleza da Solidão, na doce companhia do meu gato, a única criatura que eu tenho certeza nunca irá me ferir propositadamente. No entanto mentiria, ao dizer que não estou disposto a derrubar de uma vez por todas a barricada que criei e que durante muito tempo tem afastado pessoas tão legais de mim. Acredito que seja hora de pôr fim a um bloqueio que, por pura cautela, meu cérebro fez o favor de estabelecer para evitar a abertura de velhas cicatrizes e quem sabe, o surgimento de novas.

Então, amigo leitor, se puder eu ser de alguma valia nesse dia tão bonito que se abre para nós, sugiro que aproveite muito. Esteja você namorando, solteiro, enrolado, ficando, dando, comendo, sarrando na escola com seu novo amor, mamando… enfim, o quer que você faça, aproveite. Não afunde no amargor que a ideia da solidão nos impõe. É mais difícil ser feliz sozinho, mas não é impossível. Dê uma chance a si. Proteja seu coração, mas não tanto a ponto de criar uma couraça que o impeça de amar novamente. E ame, ame com todo o seu ser, não pela metade ou “só um pouquinho”. E seja honesto, com os seus sentimentos e com os dos outros. Essa parte vai definir se a sua história vai ser um lindo soneto de amor que ecoa pela eternidade, ou se será mais uma frase barata de cartão que as pessoas escrevem para vender no dia 12 de junho.

Feliz dia dos namorados a todos! =D

PS: Bichento mandou um beijo para vocês.

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Sobre Filipe

Futuro Cientista Político, Rei dos Nerds, Feliz.

4 Respostas para “O que os cartoes de amor nao te contam

  1. Rayssa ⋅

    Creio que fico na parte em que não tornei o fato de querer arrumar um namorado o principal motivo da vida, pelo menos não agora haha. Muito legal essa sua abordagem sobre esse tema.

  2. Raila

    Gostei muito do texto, positivo e sincero. bj

  3. Doe o GATO, pois não precisará dele mais. (…)

  4. Pingback: A Sindrome de Frigideira, ou: qual o problema da solidão? « Daora a Vida

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